Não farás imagens esculpidas das coisas que estão em cima, nos céus, nem embaixo, sobre a terra, nem nas águas, sob a terra. — Não te prostrarás diante delas; não as adorarás, nem as servirás, porquanto eu sou o Eterno teu Deus, o Deus forte e cioso que puno a iniquidade dos pais nos filhos na terceira e na quarta gerações dos que me odeiam e que uso de misericórdia, na sucessão de mil gerações, com os que me amam e guardam meus mandamentos.

 

A unidade de Deus, sendo o princípio fundamental da fé, teve que ser salvaguardada pelos teólogos. As nossas palavras remontam até à origem da crença. Todos os que se achavam à frente do culto a possuíam firme, embora entre o povo espalhassem outra.

 

A ideia da unidade de Deus se perpetuou em todas as idades, no seio de todos os povos, ainda que sem o caráter de generalidade.

 

Quer dizer, conquanto não fosse geral, era partilhada pelos espíritos intelectualmente mais adiantados, se bem menos virtuosos, que governavam os povos, quer como sacerdotes, quer como filósofos ou sábios.

 

A proibição de fazerem imitações das coisas criadas não implica, para os homens, a obrigação de se privarem de tais reproduções.

 

Proibiu-se lhes apenas que se prostrassem diante delas e as servissem, a fim de que a unidade do princípio criador fosse sempre mantida. Mas, os homens, materiais por natureza, tinham necessidade de representações materiais, para alimentar sua fé. Daí a adoração, o culto prestado ao que, desde a origem, não passava de representações sem importância, isto é, de simulacros colocados nos templos como ornamentos.

 

Transportai-vos ao templo de Salomão e, nos quatro cantos do altar, vereis anjos de asas espalmadas, outros voltados para o Oriente, para o Ocidente, et cætera. A representação artística e simbólica, não em interdita. Era-o apenas o culto votado a essas representações.

 

Moisés, naquela ocasião, lembrou aos Hebreus o poder de Deus, de quem era ele o representante, apresentando-o como “forte e cioso”, isto é, sem admitir a partilha de seus direitos e com o poder de os fazer respeitar, não, porém, ferindo o inocente para punir o culpado até à terceira e à quarta gerações, nem concedendo graça aos culpados, através de mil gerações, por favor a um justo que houvesse servido de tronco a essa posteridade. Fraqueza da inteligência humana!

 

Essa punição, como essa misericórdia, verdadeiras monstruosidades se entendidas segundo a letra, são, segundo o espírito, a, expressão sublime da justiça e, ao mesmo tempo, da bondade infinita de Deus. A explicação e a justificativa de compreender-se aquela sentença desse duplo ponto de vista, achá-las eis no princípio da reencarnação, que mostra o castigo a cair sempre, de gerações em gerações, sobre o Espírito culpado e a misericórdia sempre a descer, também de gerações em gerações, sobre o Espírito que se depura e progride para o bem.

 

Os Espíritos geralmente se agregam, formando categorias de seres similares. Ora, compreende-se que esposos culpados atraiam para o seu lar Espíritos pouco adiantados, dispostos a seguir os caminhos que eles trilham; do mesmo modo que os que observam as leis do Senhor e cuja posteridade há de ser cada vez mais virtuosa atraiam, de geração em geração, Espíritos cada vez mais adiantados.

 

Vimos de dizer: “Compreende-se que esposos culpados atraiam para o seu lar Espíritos pouco adiantados dispostos a seguir os caminhos que eles trilham.” Efetivamente, isso é bem compreensível. Antes de tudo, sabeis haver Espíritos que, pouco desejosos de progredir, procuram os laços de simpatia, seja esta oriunda do bem, seja do mal, que já os prenderam; e outros que, embora impulsados pelo desejo de progredir, escolhem meios cujas influências perniciosas não podem vencer. Repetimos, não obstante já isto vos ter sido dito muitas vezes, que, sobretudo neste último caso, o Espírito é prevenido dos perigos que correrá, encarnado, e da queda, quase inevitável, que daí lhe resultará. Se persiste, é por sua livre vontade.

 

Compreendei, de conformidade com esses princípios, a progressão do castigo e da misericórdia. O castigo se verifica na terceira e na quarta gerações, porque, pouco a pouco, o Espírito se depura ou por efeito da encarnação de outros no meio que ele tem preferido, ou por efeito das provações pelas quais passa aí repetidamente. Desde que um começo de melhora se faz sentir nele, o Espírito entra na senda do progresso, atrai a si companheiros também mais adiantados e, através de mil gerações e mesmo mais, se vai mostrando cada vez melhor, até atingir, por fim, a perfeição.

 

 

OS DEZ MANDAMENTOS

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