OsQuatroEvangelhos  
 
    JBROUSTAING 
 

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Prefácio

 

 

Submeto ao exame e à meditação de meus irmãos Os Quatro Evangelhos e, em seguida, Os Mandamentos, explicados em espírito e verdade.

 

Emana esta obra daqueles que prepararam o advento da missão terrena de Jesus, participaram do desempenho dessa missão e escreveram esses livros que tiveram por destino guardar, como sagrado e imperecível depósito, a grande revelação messiânica.

 

Depois de haverem, nos limites da missão terrena que cumpriram, dado testemunho de Jesus, eles, despojando da letra o espírito, vêm clarear o que parecia trevas e do que era considerado mentira extrair a verdade.

 

Numa época de sarcasmo, de incredulidade e de negação, em que o Espiritualismo luta com o Materialismo, devo explicar como e por que circunstâncias concorrentes fui levado a empreender, executar e publicar esta obra preparatória da revelação predita e prometida pelo Cristo, o Espírito da Verdade. Ela é apenas um introito destinado a preparar a unidade de crença entre os homens, pois que aqueles que previram o advento da missão terrena de Jesus, que partilharam da obra dessa missão, têm que voltar à Terra, a fim de cooperarem na efetivação das promessas do Mestre, no implemento da missão do Espírito da Verdade.

 

Dera-me Deus por provação ser, desde a juventude, desde o momento em que entrei na vida social, filho de minhas obras, no seio da pobreza, pelo estudo, pela fadiga, pelo trabalho.

 

No mês de janeiro de 1858 fui acometido de uma enfermidade tão prolongada quão dolorosa, proveniente de uma vida já longa de estudos, de canseiras e de labor, passada a princípio em Tolosa, de 1823 a 1826, no ensino das letras e ciências, ao mesmo tempo que na aprendizagem das leis e do Direito para a obtenção dos diplomas que me abriram progressivamente a carreira da Advocacia, depois, em Paris, de 1826 a 1829, na escrivania, onde aprendi a pôr a lei em execução, e no estágio ouvindo os que então eram os príncipes da palavra e os favoritos da fama; finalmente, nos auditórios de Bordéus, meu torrão natal, numa vida ativa e militante de ininterrupta labutação.

 

Em Janeiro de 1861, completamente restabelecido, cuidei de voltar ao exercício dessa amada profissão para com a qual era devedor de uma posição independente, adquirida mediante trinta anos de trabalhos no gabinete e nos tribunais. Mas, “o homem propõe e Deus dispõe”, diz a sabedoria das nações.

 

Um distinto clínico daquela cidade me falou da possibilidade das comunicações do mundo corpóreo com o mundo espiritual, da doutrina e da ciência espíritas, como fruto dessa comunicação, objetivando uma revelação geral. Minha primeira impressão foi a de incredulidade devida à ignorância, mas eu bem sabia que uma impressão não é uma opinião e não pode servir de base a julgamento; que, para isso, é necessário, antes de tudo, nos coloquemos em situação de falar com pleno conhecimento de causa.

 

Sabia e sei ainda ser ato de insensatez aprovar ou repudiar, afirmar ou negar o que se não conhece em absoluto, ou o que se não conhece bastante, o que se não examinou suficientemente e aprofundou sob o duplo ponto de vista teórico e experimental, na medida das faculdade próprias, sem prevenções, sem ideias pre- concebidas. À semelhança dos que possuem, no dizer de Leibnitz a Boussuet, “um profundo sentimento da razão e que não lhe sabem proscrever os diretos ante uma autoridade que se impõe, que não se legitima senão afirmando o seu poder”, estava eu distanciado “das pregações imperiosas, exclusivas, que ordenam silêncio à razão e a emparedam entre a escravidão e a incredulidade”

 

Respeitador de todas as crenças, de todos os cultos, em nome da liberdade da consciência, da razão, do exame, em nome da tolerância e da caridade, nenhuma fé definida eu tinha. Minha razão se recusava a admitir o que as interpretações humanas ensinavam relativamente ao Cristo e aos Evangelhos, que permaneciam obscuros e incompreensíveis para mim. A perplexidade me dominava a respeito de tudo quanto, fora da pura moral de Jesus, entendia com a sua personalidade e a sua missão terrena, que o véu da letra ocultava às minhas vistas, de tudo quanto a ignorância dos homens, impossibilitando-os de compreender e de explicar, qualificou e qualifica ainda de sobrenatural, de milagres.

 

Para mim não havia o sobrenatural, nem milagres, no sentido que se empresta a estas palavras – o de derrogação das leis da Natureza.

 

Com a minha vida inteira irresistivelmente presa à pesquisa da verdade, na ordem física, moral e intelectual, deliberei informar-me cientificamente, primeiro pelo estudo e pelo exame, depois pela observação e pela experimentação, do que haveria de possível, de verdadeiro ou de falso nessa comunicação do mundo espiritual com o mundo corpóreo, nessa doutrina e ciência espíritas.

 

Li O Livro dos Espíritos, Nas páginas desse volume encontrei: uma moral pura, uma doutrina racional, de harmonia com o espírito e progresso dos tempos modernos, consoladora para a razão humana; a explicação lógica e transcendente da lei divina ou natural, das leis de adoração, de trabalho, de reprodução, de destruição, de sociedade, de progresso, de igualdade, de liberdade, de justiça, de amor e de caridade, do aperfeiçoamento moral, dos sofrimentos e gozos futuros.

 

Em seguida, deparei com explicações judiciosas acerca da alma no estado de encarnação e no de liberdade; do fenômeno da morte, da individualidade e das condições de individualidade da alma após a morte; do que se chamou anjo e demônio; dos caminhos e meios, dos agentes secretos ou ostensivos de que se serve Deus para o funcionamento, o desenvolvimento físico, moral e intelectual de todas as suas criaturas.

 

Encontrei ainda a explicação racional da pluralidade dos mundos, da lei do renascimento presidindo, pelo progresso incessante não só da matéria como da inteligência, à vida e à harmonia universais, no infinito e na eternidade.

 

Compreendi mais do que nunca, diante da pluralidade dos mundos e das humanidades, assim como de suas hierarquias; da pluralidade das existências e da respectiva hierarquia, que os homens, no nosso planeta, são de uma inferioridade moral notória; de uma inferioridade intelectual acentuada relativamente às leis a que estão sujeitos na Terra os diversos reinos da Natureza e às leis naturais a que obedecem os mundos e as humanidades superiores, por meio das quais aquelas leis se conjugam na unidade e na solidadriedade.

 

Sim, essa ignorância é imensa, quanto aos meios de apropriação das leis de um planeta superior a um planeta inferior, quando um messias, enviado por Deus em alta missão, toma um corpo de conformidade com a sua natureza espiritual e relativamente harmonioso com uma esfera inferior, qual a Terra, para aí se manifestar entre os homens,, para lhes traçar as diretrizes da regeneração humana, para lhes trazer a luz e a verdade veladas e destinadas a ser descobertas progressivamente, conforme aos tempos e às exigências de cada época.

 

Compreendi a necessidade das revelações progressivas, vindo sucessivamente levantar, pouco a pouco, o véu e patentear aos olhos dos homens, de modo a iluminá-lo sem os deslumbrar, a luz que os tem de guiar nas suas indagações e ajudar a progredir na trilha da verdade.

 

Li em seguida O Livro dos Médiuns e nele se me deparou uma explicação racional: da possibilidade das comunicações do mundo corpóreo com o mundo espiritual; das vias e meios próprios para essas comunicações; das aptidões e faculdades mediúnicas no homem; da mediunidade e das condições de moralidade e de experiência para seu exercício útil e proveitoso nas relações do mundo visível com o mundo invisível, sempre e exclusivamente com o objetivo da prece, da caridade de além-túmulo, do ensinamento moral, da instrução que os bons Espíritos, na era nova que começa, têm a missão de dar e que é invariavelmente proporcionada e adequada ao desenvolvimento intelectual e moral do homem. Achei, enfim, a explicação racional das vantagens e inconvenientes da mediunidade, dos escolhos e perigos a evitar e dos caminhos a seguir para praticá-la.

 

O mundo espiritual era bem o reflexo do mundo corporal.

 

Depois desse estudo e desse exame, consultei a História, desde a origem das eras conhecidas até nossos dias, e vi, entre os povos da antiguidade, dos tempos intermediários e dos tempos moderno, a comunicação do mundo espiritual com o mundo corporal historicamente comprovada, atestada pelos fatos que em todas as épocas os historiadores mais acreditados entre os homens registraram.

 

Compulsei os livros da filosofia profana e religiosa, antiga e recente, os prosadores e os poetas que refletem as crenças, bem como os costumes dos tempos. Vi ensinados, desde a antiguidade até hoje, num amálgama de erros e de verdades, dispersas e ocultas aos olhos das massas, os princípios que a doutrina e a ciência espíritas vieram pôr em foco: 1º – a pluralidade dos mundos e sua hierarquia; 2º – a pluralidade das existências e sua hierarquia; 3º - a lei de renascimento; 4º – as noções da alma no estado de encarnação e no de liberdade e as de seus destinos.

 

Perlustrei os livros das duas revelações, o Antigo e o Novo Testamento. Entregando-me a essa leitura, que empreendera outrora e abandonara por obscura e incompreensível, verifiquei que, graças à doutrina e à ciência espíritas, sobre aquelas páginas se projetavam vivos raios de luz, a cuja claridade minha inteligência e minha razão alguma coisa divisavam através do véu da letra. Reconheci, nesses livros sagrados, ser um fato a comunicação do mundo espiritual com o mundo corporal, comunicação que na ordem divina, providencial, é o instrumento de que se serve Deus para enviar aos homens a luz e a verdade adequadas ao tempo e às necessidades de cada época, na medida do que a Humanidade, conforme o meio em que se acha colocada, pode suportar e compreender, como condição e elemento de seu progresso.

 

Vi que a revelação de Deus é permanente e progressiva.

 

Encontrei nos Evangelhos, veladas pela letra: 1º – a afirmação da pluralidade dos mundos e da sua habitabilidade; 2º – a lei dos renascimentos como meio único, para o homem, de ver o reino de Deus, isto é: de chegar à perfeição pela purificação e pelo progresso; 3º – a afirmação da imortalidade da alma, da usa individualidade após a morte, dos seus destinos futuros, da sua via eterna.

Mas, se por um lado a moral sublime do Cristo resplandeceu a meus olhos em toda a sua pureza, em todo o seu fulgor, como brotando de uma fonte divina, por outro lado, tudo permaneceu obscuro, incompreensível e impenetrável à minha razão, no tocante à revelação sobre a origem e a natureza de Jesus, sobre a sua posição espírita em relação a Deus e ao nosso planeta, sobre os seus poderes e a sua autoridade.

 

Quanto à revelação sobre uma origem, uma natureza, ao mesmo tempo humanas e extra-humanas de Jesus, sobre o modo de sua aparição na Terra, tudo, como antes, se conservou igualmente obscuro, incompreensível e impenetrável à minha razão.

 

Pelo que respeita à sua morte, tendo em vista estas palavras suas “Deixo a vida para retomá-la, ninguém ma tira, sou eu que a deixo por mim mesmo”; pelo que toca à sua ressurreição, diante destas outras palavras por ele proferidas: “Tenho o poder de deixar a vida e tenho o poder de a retomar”; pelo que se refere ao desaparecimento do seu corpo do sepulcro, estando selada a pedra que lhe fechava a entrada, à sua ressurreição e às suas aparições às mulheres e aos discípulos; pelo que entende com a sua ascensão às regiões etéreas, com as suas palavras proféticas acerca do futuro do nosso planeta e dos acontecimentos que hão de proceder ao seu segundo advento, por ele predito, senti a impotência da razão humana para penetrar as trevas da letra, a necessidade de uma revelação nova, de uma revelação da Revelação.

 

Porém, o que, em nome da História, da filosofia e das revelações já enviadas por Deus aos homens, eu verificara é que: A comunicação do mundo espiritual com o mundo corporal se dera em todos os tempos, segundos as naturezas e categorias dos Espíritos, bons ou maus, Espíritos que eram apenas as almas dos que viveram na Terra ou em outros mundos; que a doutrina e a ciência espírita vinha clarear e desenvolver no seio das massas os ensinos do passado, sob os pontos de vista filosófico e religioso.

 

Por essa época já havia, em algumas das mais distintas famílias da minha cidade natal, médiuns com os quais me foi dado entrar em relações. Entreguei-me, auxiliado por eles, diariamente, a trabalhos de experimentação e de observação, com o espírito disciplinado pelo estudo das ciências puras e aplicadas, com o sentimento da caridade que nos prescreve dar atenção ao parecer daquele que é mais humilde do que nós e aproveitar-lhe os conselhos, pois que os pequenos foram sempre os obreiros de tudo que é grande.

 

Acrece que, desse trato íntimo entre um que sabe muito segundo a ciência humana e aquele que lhe traz o concurso generoso e gratuito da sua boa vontade, nascem relações fraternas, que geram mútuo respeito e estima recíproca. O mais afortunado estende lealmente a mão ao outro, que não possui senão os seus próprios braços. Todos, espiriticamente, se sentem irmãos e cada um se reconhece mais ou menos bem colocado na hierarquia social (em virtude do seu livre arbítrio), a fim de tirar desta posição o partido mais útil, mais moralizados para si e para a sociedade.

 

Ao cabo dessa obra de experimentação e de observação no terreno das manifestações inteligentes, às quais se vieram juntar as manifestações físicas no terreno material, achei-me convencido de que a comunicação do mundo espiritual com o mundo corporal -e uma das leis da Natureza e que não existe a barreira que a minha ignorância de preconceitos vulgares me fizeram crer intransponível entre os vivos e os mortos segundo a carne.

 

Depois de ter visto e ouvido, minha fé se firmou de modo inabalável.

 

Compreendendo que a ciência magnética é inseparável da ciência espírita que, só agora o sei, é chamada a servir e serve àquela de farol, cientificamente, do ponto de vista experimental, no campo do sonambulismo e da psicologia. Sei também que o magnetismo é o agente universal que tudo aciona. Tudo é atração magnética. Essa a grande lei que rege todas as coisas sob a ação espírita universal.

 

O estudo e a observação, preparando-me para a compreensão do magnetismo espiritual, me levaram a pressentir no futuro a descoberta de vastos horizontes no campo científico humano e extra-humano, para o avanço da Humanidade pelo caminho do progresso e da verdade. E meus estudos e pesquisas, no que respeita à história dos tempos antigos, dos tempos intermediários e dos tempos modernos, me mostraram a existência do magnetismo humano em todas as épocas, desde a antiguidade até os nossos dias.

 

Era para mim um sinal dos tempos essa manifestação geral quase simultânea, em todos os pontos do globo, do espírito novo, o sinal do advento de uma nova era, como já o tinham pressentido o conde de Maistre em suas Soirées de Saint Pétersbourg e Lamenais, em 1832, na carta, que foi publicada, por ele dirigida à condessa de Senfft, esposa do embaixador da Áustria em Roma, era destinada a realizar a renovação moral dos homens e a transformação universal da sociedade humana.

 

Na véspera do dia 24 de Junho de 1861, eu rogara a Deus, no sigilo de uma prece fervorosa, que permitisse ao Espírito de João Batista manifestar-se por um médium, que se achava então em minha companhia e com o qual diariamente me consagrava a trabalhos assíduos. Pedira também a graça da manifestação do Espírito de meu pai e do meu guia protetor.

 

Essas manifestações se produziram espontaneamente, com surpresa do médium, a quem eu deixara ignorante da minha prece. Constituíram para mim uma fonte de alegria imensa, com o me provarem que minha súplica fora ouvida e que Deus me aceitava por seu servo.

 

O Espírito do apóstolo Pedro se manifestou a 30 de Junho, de modo inesperado tanto para mim como para o médium. Fui mediunicamente prevenido da época em que poderia e deveria publicar essas comunicações de tão alto interesse.

 

Em Dezembro de 1861, foi-me sugerido ir à casa de Mme. Collignon, que eu não tinha a satisfação de conhecer e a quem devia ser apresentado, para apreciar um grande quadro mediunicamente desenhado, representando um aspecto dos mundos que povoam o espaço.

 

Lá fui. Oito dias depois voltei à casa de Mme. Collignon com o intuito de lhe agradecer o acolhimento que me dispensara por ocasião da visita que lhe fizera para ver aquela produção mediúnica. No momento em que me preparava para sais, Mme. Collignon sentiu na mão a impressão, a agitação fluídicas bem conhecidas dos médiuns, indicadoras de presença de um Espírito desejoso de se manifestar. A instâncias minhas, ela condescendeu em se prestar à manifestação mediúnica e, no mesmo instante, a mão, fluidicamente dirigida, escreveu o seguinte:

 

“É transitória a época em que vos achais; em toda parte os obreiros da destruição se esforçam por derruir os antigos monumentos, já solapados nas suas bases; outros procuram construir novos monumentos, onde se possam abrigar as almas inquietas; mas, em geral, os que destroem não se preocupam com o que deva substituir o que for destruído; os que tratam de construir não se mostram seguros a respeito das bases em que hajam de assentar o monumento do futuro. A vós, espíritas, é que incumbe reunir os materiais esparsos, escolher as pedras boas para sustentarem o edifício do futuro, eliminar cuidadosamente tudo o que do tempo tenha recebido a marca da vetustez e dispor os fundamentos do templo onde a verdade terá seus altares e donde espargirá sua luz.

 

“Metei mãos à obra, pois que os espíritos indecisos flutuam entre a dúvida que lhes é semeada nos corações e a fé de que precisam; seus olhos nada mais podem distinguir nas trevas de que os cercaram e buscam no horizonte uma luz que os ilumine e sobretudo que os tranquilize.

 

“Cumpre que essa luz lhes seja mostrada, porquanto desapareceu a confiança que depositavam nos dogmas da Igreja; falta-lhes esse apoio. Apresentai-lhes o esteio sólido da nova revelação.

 

“Que eles enfim reconheçam que o Cristo, a nobre e grandiosa figura que lhes foi mostrada pairando, do alto da cruz ignominiosa, sobre o mundo, não é um mito, uma legenda. Mostrai-lhes também que os véus em que o envolveram é que o roubaram aos olhares deles, não lhes permitindo ver mais do que uma forma indecisa, incapaz de lhes satisfazer à razão.

 

“Mostrai-lhes a verdade naquilo que comumente se considera mentira, conforme à palavra de quem repele os Evangelhos e o que eles encerram.

 

“Mostrai-lhes que os milagres, proclamados maquinalmente por uns e negados por outros sistematicamente, são atos naturais derivados do curso ordinário das leis da Natureza e cuja impossibilidade só existe na ignorância do homem relativamente a essas leis.

 

“A vós, pioneiros do trabalho, cabe a tarefa de preparar os caminhos, enquanto esperais que aquele que há de vir para traçar o roteiro comece a sua obra.

 

“Com esse objetivo nós, oh! Bem-amados, vimos incitar-vos a que empreendais a explicação que preparará a unificação das crenças entre os homens e à qual podeis dar o nome de Revelação da Revelação.

 

“São chegados os tempos em que o espírito que vivifica substituirá a letra que produziu frutos, de acordo com as fases e as condições do progresso humano, e que agora mata, se mal interpretada.

 

“Ponde-vos à obra; trabalhai com zelo e perseverança, coragem, atividade e não esqueçais nunca que sois instrumentos de que Deus se serve para mostrar aos homens a verdade; aceitai com simplicidade de coração e reconhecimento o que o senhor vos dá; tende sempre nos vossos pensamentos e atos a humildade, a caridade, a abnegação, o amor e o devotamento aos vossos irmãos e sereis amparados e esclarecidos.

 

“Quando todos os materiais estiverem reunidos e for chegado o momento de se tornar conhecida, de publicar-se esta obra, destinada a congregar todos os dissidentes de boa fé, ligando-os por um pensamento comum, sereis prevenido.

 

Dezembro de 1861.

 

Mateus, Marcos, Lucas, João

 

Assistidos pelos apóstolos

 

Diante dessa manifestação que me concitava a empreender, com o concurso da médium Mme. Collignon, este grande trabalho da revelação, sentimo-nos tomado de uma surpresa imensa, cheio ao mesmo tempo de alegria e do temor de não sermos capaz nem digno do encargo que nos era deindex.php?option=com_content&view=article&id=5&Itemid=471ferido. Perguntei quando devíamos começar e nos foi indicada a semana seguinte.

 

O trabalho ia ser feito por dois entes que , oito dias atrás, não se conheciam.

 

Chamado desse modo a executar essa obra da revelação, que certamente de nosso moto-próprio não ousaríamos tentar, incapazes, ignorantes e cegos que éramos, metemos ombro à tarefa.

 

À medida que a revelação se adiantava, minha alma se ia encontrando cada vez mais presa de admiração ao descobrir todas aquelas verdades e eu dizia: “Disponde da vossa criatura, oh! Meus Deus; sou vosso, pertenço-vos; meu tempo, minha razão, eu os consagro ao vosso serviço; serei feliz, oh! soberano Mestre, se, mau grado à minha fraqueza, puder tornar-me nas vossas mãos um instrumento útil, que vos conquiste o amor, o respeito, o coração das vossas criaturas.”

 

Em Maio de 1865 todos os materiais estavam preparados, tanto a respeito dos Evangelhos, como dos Mandamentos. O aviso de dar a conhecer aos homens, de publicar a obra da revelação, me foi espontânea e mediunicamente transmitido em termos precisos.

 

Mero instrumento, cumpri um dever executando tal ordem, entregando à publicidade esta obra, que põe em foco a essência de tudo o que há de sublime na bondade e na paternidade de Deus; tudo o que há de devotamento, de abnegação e de sentimentos fraternais em Jesus, chamado o Cristo, que tão bem mereceu o título de salvador do mundo, de protetor da Terra.

 

A meus irmãos, quaisquer que eles sejam, quaisquer que sejam suas crenças, o culto exterior que professem, corre o dever de não se pronunciarem sobre esta obra senão depois de a terem lido integralmente e de terem seriamente meditado na explicação dos Evangelhos e dos Mandamentos. Indivisível no conjunto, suas diversas partes são solidárias e mutuamente se apoiam.

 

O homem, em todas as idades do nosso planeta, passa pela prova de receber ou de repelir a luz que lhe é trazida. Muito se pedirá a quem muito se houver dado. A responsabilidade do Espírito está sempre em correlação com os meios postos ao seu alcance para que ele se instrua e a verdade, para trinfar, para ser aceita, tem primeiro que se chocar com as contradições dos homens.

 

Mas, se todo erro está previamente destinado a perecer com o caminhar dos tempos, dos séculos, do progresso das inteligências; se tal é a sorte dos erros, ainda que úteis relativamente à época em que se produziram, desde que perderam a razão de ser; se tal é, sobretudo, a sorte dos erros que se impuseram à infância da Humanidade segundo a letra, sob a capa do mistério, sob o prestígio do milagre, mas que são puramente transitórios e preparatórios do advento do espírito; a toda verdade, pelo contrário, se depara, nos ataque que recebe, um instrumento e um meio de propagação, de triunfo, porquanto a verdade acaba sempre por conquistar entre os homens, definitivamente, o direito de cidade, por obra da liberdade de consciência, de razão, de exame, debaixo da ação do tempo, do pregresso das inteligências e das contradições humanas, que, inelutavelmente, concorrem para fazê-la brilhar em toda a sua pureza e esplendor.

 

Na obra dos Quatro Evangelhos os ministros do Senhor visam a este fim: a ventura da Humanidade pela sua purificação. Eles preparam a realização da unidade de crença e a da fraternidade humana pela efetivação das promessas do Mestre, e, enfim, o reino de Deus na Terra, iniciando-nos na lei da unidade e de amor.

 

Ficai certos, como eu, meus irmãos, de que eles atingirão a meta.

 

J.-B. ROUSTAING

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